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| Apresentação em Setúbal | ||||||||||||||
Na mesa da sala polivalente da Biblioteca, onde se reuniram cerca de trinta pessoas, estiveram, além de Diana Andringa, a autora do ensaio, o jornalista Manso Preto e a presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira. Não cabe aos jornalistas proceder a julgamentos Diana Andringa, ancorada na sua experiência profissional, falou sobre a confidencialidade das fontes e a acção da Justiça, nem sempre sensível aos direitos da classe jornalística.
"Acontece que nós não somos polícias nem somos juízes – nós somos jornalistas! Não estamos aqui para fazer julgamentos porque, no dia em que estivermos, deixa de haver imprensa livre", salientou Diana Andringa, alertando que "um jornalista que quebre a confidencialidade prometida a uma fonte sabe que nunca mais ninguém fala com ele". A (in)coerência política no debate sobre o sigilo No mesmo sentido se pronunciou Manso Preto: "Se eu revelasse a fonte, nunca mais ninguém acreditava em mim como jornalista, pois passaria a ser visto como aquele que falou da primeira vez que foi apertado e a minha carreira acabava ali". Recordando a revolta que sentiu quando se viu detido após "tantos anos de luta, sacrifícios, privações e ameaças" em prol do jornalismo, Manso Preto – a quem já destruíram um automóvel e que teve de mudar duas vezes de casa no espaço de um ano - afirmou que "a condenação não foi contra «o Manso Preto», foi contra um jornalista que estava a mexer com uma determinada instituição [Polícia Judiciária] que estava a ser abalada por determinadas situações". Defendendo que "o jornalista é o último reduto quando uma pessoa sem poder, dinheiro ou influências quer alertar para uma injustiça", o repórter de Viana do Castelo expressou publicamente as suas convicções de cidadão: "Eu sou, de facto, um militante anti-droga. Considero o narcotráfico um dos crimes mais horrorosos que pode haver, porque o lucro de um traficante é proporcional às mortes que causa e aos danos, emocionais e materiais, que inflige ao toxicodependente e ao seu tecido familiar". Na sua intervenção em Setúbal, o jornalista pronunciou-se ainda acerca do tratamento político de que o seu caso foi alvo: "Houve um debate no Parlamento na sequência do meu caso e o Partido Socialista, então na oposição, ficou do meu lado e considerou que o sigilo devia desfrutar de maior protecção. Quem estava então no poder, a coligação PSD/CDS, defendeu o contrário. Entretanto houve eleições e, actualmente, o PSD e o CDS já concordam que a liberdade de imprensa está em perigo, enquanto o PS não só discorda disso como tem vindo a avançar com legislação mais gravosa para os jornalistas. É a coerência política que temos". Um livro "extremamente oportuno" e que suscita "admiração" A sessão em Setúbal foi ainda palco de diversas manifestações de agrado face ao ensaio editado pela MinervaCoimbra, com a presidente da Câmara Municipal da cidade, Maria das Dores Meira, a assinalar que este, "mais do que um livro, é um gesto de significações e alcance que suscita admiração". "Este livro é um gesto de coragem que prolonga a atitude dos jornalistas que, quotidianamente, nos dão as notícias", acrescentou ainda a autarca, para quem "as reflexões e as situações expostas pela autora hão-de ajudar a aprofundar e a procurar estabelecer os compromissos possíveis - bem como apurar a relação sempre difícil, paradoxal e controversa - entre a liberdade e a confidencialidade". Diana Andringa, por seu turno, descreveu o ensaio como "uma investigação muito cuidada sobre um dos aspectos fundamentais da profissão de jornalista: o direito ao sigilo profissional". Na opinião da jornalista, "o livro da Helena, que está completamente documentado entre aspectos nacionais e internacionais, com muitos casos, é extremamente oportuno". Trata-se de "um livro exaustivo em dar-vos pistas para procurar, pois esse é o grande papel do jornalista: informar; e este livro informa e passa para o público a capacidade de se informar, podendo, por isso, ser usado como uma arma", frisou ainda a ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas, entidade que apoiou a edição do ensaio. Também Manso Preto fez questão de sublinhar que, "com os seus conhecimentos e a sua capacidade, a Helena fez um trabalho notável e prestou um bom serviço ao jornalismo e à população em geral". As pressões sobre os jornalistas ameaçados pelo desemprego, os interesses dos grandes grupos económicos detentores de órgãos de comunicação, o problema da polivalência (que reduz os custos para as empresas mas também reduz a multiplicidade de olhares a que o público devia ter direito) e a oposição entre interesse público e interesse do público foram outros dos temas discutidos em Setúbal. |
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