Apresentação no Porto  
   

Mesa na Fnac Santa Catarina, no Porto. Foto: Luís Humberto TeixeiraO auditório da FNAC de Santa Catarina, no Porto, acolheu, a 14 de Janeiro de 2007, a segunda apresentação de "Sigilo Profissional em Risco" no norte do país, à qual assistiram, no total, mais de meia centena de pessoas.

Contando com a presença da autora, Helena de Sousa Freitas, da editora da MinervaCoimbra, Isabel Garcia, de Manso Preto e do jornalista Rui Pereira, que deu a conhecer o livro na Invicta, o evento constituiu uma excelente oportunidade para ouvir José Luís Manso Preto, repórter há mais de 20 anos.

Recorde-se que o jornalista, inicialmente arrolado como testemunha dos irmãos Pinto, foi condenado por desobediência ao tribunal em Dezembro de 2004, por se ter recusado a revelar a identidade de uma fonte que lhe pedira confidencialidade no âmbito de uma investigação sobre agentes infiltrados pela Polícia Judiciária de Setúbal em redes de tráfico de droga.

Os agentes infiltrados pela Polícia Judiciária nas redes de narcotráfico

Manso Preto. Foto: Luís Humberto TeixeiraPara permitir uma melhor compreensão sobre os perigos do jornalismo que exerce e a importância fulcral da confidencialidade das fontes quando se investiga na área do narcotráfico, Manso Preto falou, no Porto, sobre o papel controverso dos agentes infiltrados, explicando que não é contra estas figuras "desde que sejam elementos idóneos da própria Polícia Judiciária e não civis com antecedentes criminais, por vezes até devido a tráfico de droga!"

Crítico de algumas actuações da PJ de Setúbal onde parte do produto estupefaciente apreendido chegou a desaparecer, Manso Preto questionou, alertando para algo de errado: "Se a delegação de Setúbal era a que fazia as maiores apreensões do país, como tantas vezes foi dito publicamente, porque razão a direcção-geral da PJ lhe retirou poderes?"

Apesar de conhecer inúmeros casos de conduta reprovável envolvendo agentes da autoridade, o jornalista vianense é peremptório quando afirma que "não se pode confundir o que fazem meia dúzia de indivíduos dentro da Polícia Judiciária com a instituição em si, à qual o país deve reconhecimento".

A verticalidade de um jornalista e a coragem de um livro

O ensaio foi apresentado na FNAC pelo jornalista Rui Pereira, que conheceu Manso Preto há 15 anos, quando este investigava as "lanchas-voadoras" utilizadas para transbordo de droga no Alto Minho.

Rui Pereira. Foto: Luís Humberto TeixeiraEnaltecendo a conduta do jornalista, que foi condenado a onze meses de prisão (com pena suspensa por três anos) por defender o sigilo profissional perante a Justiça, Rui Pereira afirmou que "Manso Preto é daquelas pessoas que nos basta saber que existem para que o mundo seja melhor", até por se tratar de alguém "que inclui a deontologia jornalística num todo maior: a ética do humano".

Em relação às edições da MinervaCoimbra, Rui Pereira afirmou que têm hoje "um papel incontornável na disciplina dos estudos da Comunicação", o que o levou desde logo a crer que "Sigilo Profissional em Risco" seria uma obra válida.

"E trata-se realmente de um bom livro, de um livro útil, que propicia o debate para além dele" e que aborda "um tema de grande pertinência", salientou Rui Pereira, aplaudindo "a coragem conclusiva" da autora, que nas palavras finais do seu trabalho académico "não teve medo de se comprometer seriamente" apontando falhas no procedimento judicial.

Rui Pereira, que se encontra presentemente a investigar com vista à tese de doutoramento, fez ainda questão de assinalar "o rigor científico e a fluidez de escrita" com que Helena de Sousa Freitas abordou "este tema dificílimo".

"Este livro, pela sua qualidade, é um grande contributo para jornalistas e estudantes de Comunicação Social", concluiu o autor de obras como "Euskadi, a Guerra Desconhecida dos Bascos" (2000) e "O Novo Jornalismo Fardado" (2003).

 

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