Apresentação em Portalegre  
   

Helena de Sousa Freitas, em Portalegre. Foto: Luís Humberto TeixeiraA apresentação do livro no âmbito das XI Jornadas da Comunicação, organizadas pelos estudantes do curso de Jornalismo e Comunicação da Escola Superior de Educação de Portalegre, foi uma das mais animadas sessões, tendo decorrido perante cerca de sete dezenas de estudantes.

Na sua intervenção, Helena de Sousa Freitas destacou o capítulo relativo à blogosfera, que tem sido um dos menos focados nas sessões de apresentação, apesar de todo o seu potencial de debate.

Sara Pina, professora na Escola Superior de Educação de Portalegre e na Universidade Lusófona, falou sobre o livro e a importância do sigilo no Jornalismo, profissão que já exerceu.

Sigilo Profissional é também um “dever fundamental

Muitos profissionais do jornalismo sabem o que é ser confrontado com a tentativa, mais ou menos, óbvia de obter a identificação da sua fonte. Mais grave é quando a tentativa passa a imposição e o poder judicial obriga os jornalistas a revelarem as suas fontes considerando infundada a legitimidade da recusa do jornalista. Um estudo essencial sobre este assunto está agora em livro – «Sigilo Profissional em Risco – Análise dos Casos de Manso Preto e de Outros Jornalistas no Banco dos Reús»” – foi com estas palavras que Sara Pina iniciou a apresentação do livro.

Sara Pina, em Portalegre. Foto: Luís Humberto TeixeiraAssinalando que o direito à confidencialidade das fontes é um direito fundamental e “também um dever fundamental”, a docente acrescentou que “o dever de respeito pelo segredo profissional é consagrado em 82% dos códigos deontológicos nacionais e supranacionais de jornalistas”.

A concluir a sua dissertação sobre “Sigilo Profissional em Risco”, Sara Pina frisou que “a razão última, quer da deontologia jornalística, quer de todo o nosso sistema jurídico da informação é a realização do direito do público a ser informado”, pelo que “de cada vez que o sigilo profissional é ameaçado ilegitimamente, é este direito que é posto em causa”.

Percam algumas horas de liberdade, desde que seja em defesa da nossa profissão

Três horas após a apresentação do livro, o auditório da ESE de Portalegre acolheu um Tributo a Manso Preto, homenageado pela sua carreira de vinte anos como jornalista de investigação e pela sua rectidão deontológica, evidente quando, em 2002, invocou o sigilo profissional para proteger, em tribunal, a identidade de uma fonte confidencial que lhe revelara a ocorrência de actividades polémicas na área do narcotráfico por parte da Polícia Judiciária de Setúbal e Aveiro.

Manso Preto em Portalegre. Foto: Luís Humberto TeixeiraAos alunos de Jornalismo e Comunicação, o convidado falou sobre os riscos e compensações do jornalismo de investigação na área do narcotráfico e esclareceu que, até como cidadão, considera a droga “um dos maiores flagelos”, tendo por isso decidido lutar contra “os grandes traficantes, que enriquecem em proporção do mal que vão causando aos toxicodependentes e às suas famílias”.

Manso Preto, que contou aos jovens estudantes como se iniciou no jornalismo e porque se mantém no activo, apesar de considerar que a liberdade de imprensa não é plena e “não vivemos numa sociedade livre”, incentivou os jovens para que “não desistam, saibam ser jornalistas”, pois “é uma profissão muito bonita”.

Percam algumas horas de liberdade, desde que seja em defesa da nossa profissão de jornalistas, em defesa de valores e em defesa de princípios” – afirmou o jornalista de Viana do Castelo perante os mais de cem estudantes que acorreram à sessão de entrega do Tributo.

 

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