Lançamento na Fnac Chiado  
   

Mesa na sessão de lançamento na Fnac Chiado. Foto: Ângelo FernandesMais de sete dezenas de pessoas assistiram, a 16 de Novembro de 2006, na FNAC Chiado, em Lisboa, ao lançamento do livro "Sigilo Profissional em Risco", da jornalista e ensaísta Helena de Sousa Freitas. A apresentação esteve a cargo de Sofia Pinto Coelho, jornalista da SIC, e a sessão prolongou-se por mais de hora e meia, devido às várias questões levantadas pelo público.

O livro relata o caso do jornalista Manso Preto, que em Dezembro de 2004 foi condenado por desobediência ao tribunal, uma vez que se recusou a revelar a identidade de uma fonte que lhe pedira confidencialidade no âmbito de uma investigação sobre agentes infiltrados pela Polícia Judiciária de Setúbal em redes de tráfico de droga.

Na sessão de lançamento compunham a mesa – além da autora e da apresentadora da obra – Isabel Garcia, editora da MinervaCoimbra, e Mário Mesquita, director da colecção de Comunicação, bem como o jornalista Manso Preto, que contou a sua história desde a primeira chamada a tribunal como testemunha dos irmãos Pinto até ao momento em que ouviu o veredicto e soube que estava condenado a 11 meses de prisão com pena suspensa por três anos.

Manso Preto lança desafio sobre a PJ de Setúbal

Público no lançamento na Fnac Chiado. Foto: Ângelo FernandesNa sua intervenção, Manso Preto, que faz investigação jornalística na área do narcotráfico há mais de 20 anos, revelou que sentiu "uma revolta enorme" ao ouvir a sentença, sobretudo por já ter vivido uma "série de privações" para fazer um jornalismo de luta contra "esse crime horrível que é o tráfico de droga", tendo sido mesmo agraciado pela PJ em 1992 pelo seu trabalho.

O jornalista assinalou ainda que a sua recusa nunca pretendeu ser "uma afronta ao tribunal, mas uma questão de princípio" e afirmou que os três anos que demorou o processo – de 2002, quando foi arrolado como testemunha e se recusou a revelar a fonte, a 2005, quando foi absolvido – o "desmotivaram muito em termos profissionais" e lhe deixaram, até hoje, um "medo de escrever" e uma tendência para a "autocensura".

Manso Preto, que também falou sobre o exercício do jornalismo e o muito que fica por contar ao público na área da criminalidade, aproveitou a sessão para lançar um desafio, também expresso no livro: "O inspector Arménio da PJ de Setúbal foi detido na sequência de uma apreensão de cerca de três centenas de quilos de cocaína. Está preso nas instalações da PJ na Gomes Freire e seria interessante que algum magistrado fosse ouvir o que ele tem para contar".

Um livro "escorreito" e com uma "base sólida de pesquisa e de pensamento"

Helena de Sousa Freitas na Fnac Chiado.  Foto: Ângelo FernandesDurante o lançamento de "Sigilo Profissional em Risco", Sofia Pinto Coelho afirmou-se surpreendida por "uma jornalista se ter atrevido a penetrar na dureza do Direito" e assinalou o facto de o livro estar "escorreito, tendo uma base sólida de investigação, de pesquisa e de pensamento".

"Qualquer pessoa consegue agarrar nele, lê-lo até ao fim e compreender aquilo que a autora quer dizer: tem demonstração e tem uma tese, o que em qualquer livro é bom e num livro jurídico, ou para-jurídico, é fantástico", sublinhou a jornalista da SIC a propósito da obra.

Por seu lado, o professor Mário Mesquita descreveu o ensaio como "um livro interessante, um livro a ler, que tem que ver com um debate de actualidade que se vai prolongar". Também Manso Preto assinalou que a autora "pegou no tema com grande seriedade, o que é útil não só para a classe jornalística mas também para sensibilizar o poder judicial e os cidadãos".


 

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